Viagem para Varsóvia: tudo sobre a capital da Polônia
Varsóvia é a capital da Polônia e a maior cidade do país. A Polônia tem uma história muito marcada pela Segunda Guerra Mundial e pela Guerra Fria que se sucedeu. Apesar do passado conturbado, o que vemos hoje ao visitar a cidade é exatamente o contrário. Encontramos uma cidade charmosa, cheia de vida, muito limpa, civilizada e organizada.
Varsóvia foi a nossa primeira parada durante a viagem para o Leste Europeu. Confira o nosso roteiro completo pelo Leste Europeu!

Um pouquinho da história de Varsóvia
Pra conhecer Varsóvia de verdade, temos que entender um pouco o que essa cidade viveu, então vamos lá… A Polônia sempre foi (e ainda é) um país muito religioso. Durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães comandados por Hitler perseguiram a imensa população de judeus que residiam na cidade. Cerca de 35% da população na época era de judeus e eles foram isolados em um gueto até serem enviados para os campos de concentração.
Durante o pós-guerra, Varsóvia foi palco de muitos confrontos entre a Alemanha e o Exército Vermelho (soviético). Um dos confrontos mais marcantes durou 63 dias. Quem mais sofria com essas lutas era obviamente a cidade e os seus moradores. Depois desse período, só um terço da população original de Varsóvia permaneceu na cidade: uma grande parte morreu com os confrontos e muitos dos sobreviventes fugiram.
A cidade como um todo foi muito abalada. Mais da metade do seu território foi destruído. Posteriormente, a cidade se reergueu com a ajuda de alguns outros países. Os prédios foram reconstruídos exatamente do jeito que eles eram antes, tijolo por tijolo. Hoje em dia, o centro histórico de Varsóvia é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO – o único lugar reconstruído que consta na lista.
Varsóvia é uma cidade incrível de se conhecer. Os museus ainda guardam as marcas desse passado tão destruidor contando um pouco mais a fundo a história, te guiando por uma viagem no tempo. Os grandes nomes poloneses como Chopin e Copérnico são lembrados e homenageados em estátuas e monumentos pela cidade. Tudo isso é harmonizado com muitos parques, resultando numa capital muito organizada, culta e cheia de vida.


Seguro médico de viagem
Antes de embarcar na sua viagem internacional, lembre-se sempre de fazer um seguro médico de viagem! A empresa que a gente usa é a SafetyWing. O plano Nomad Insurance é ideal para viagens internacionais porque além de cobertura médica global, você pode também contratar cobertura para esportes de aventura e proteção para equipamentos eletrônicos. Poucas empresas nessa indústria oferecem tantos benefícios como a SafetyWing!
Quando visitar Varsóvia?
Como eu sempre falo, o segredo do sucesso da viagem tá em escolher a época certa de ir em cada lugar. A gente visitou Varsóvia em Abril – primavera.
Inverno: A Polônia é extremamente fria nos meses do inverno, o que acaba sendo ruim para uma cidade onde se caminha muito. O clima frio dura vários meses, mas Janeiro/Fevereiro é o ápice. A recepcionista do nosso hostel nos disse que as ruas ficam vazias nessa época, pois as pessoas procuram ir esquiar e aproveitar o frio.
Outono e Primavera: São as épocas que eu mais indico visitar a cidade, pois são os meses com as temperaturas mais amenas para passear ao ar livre e são, ainda, baixa temporada. Varsóvia é uma cidade muito verde e tem diversos parques, então se você resolver ir na primavera ainda vai encontrar tudo florido!
Verão: O verão é muito quente por lá, apesar de durar pouco. Dizem que as ruas do centrinho histórico ficam muito, muito cheias e que alguns museus ficam com filas. O mês mais quente é Julho.
Onde ficar em Varsóvia?
Com certeza, próximo do centro histórico (região da Cidade Antiga) é o melhor lugar pra se hospedar, pois é a região com maior concentração de restaurantes, lojinhas, além de ser possível visitar muita coisa a pé! Por outro lado, é também a região mais cara.
Outro ponto importante pra considerar na hora de reservar um hotel é o transporte público e quanto a isso não tem com o que se preocupar, pois o transporte é muito eficiente e organizado. Na parte antiga o acesso é só de pedestres, mas a cidade em geral conta com ótimos serviços de ônibus, tram e metrô (apesar de eu não ter usado esse último).
Como estávamos fazendo mochilão, visávamos uma viagem de baixo custo. Optamos por ficar no Tatamka Hostel, um hostel que não era no centrinho, mas ficava em uma região cheia de bares e vida noturna – o que foi ótimo! O hostel era super limpo, o atendimento ótimo e tinha uma cozinha imensa e disponível para os hóspedes. Fica a 10min do centrinho de ônibus (20min a pé).

O que ver em Varsóvia
A primeiríssima dica que preciso dar nesse tópico é: escolha pelo menos um dia pra fazer o Free Walking Tour, de preferência logo no primeiro dia. Principalmente numa cidade com tanta carga histórica, é importante ter alguém para explicar os lugares visitados. Os guias são locais e dá pra ver que eles realmente se interessam e sentem orgulho de estar ali contando um pouquinho da história deles.
Além de ser de graça (ao final você pode deixar qualquer quantia de colaboração para o guia, se quiser), com o Free Walking Tour você ganha uma noção de espaço da cidade porque conhece os principais pontos turísticos a pé. A partir daí, se localizar vai ser muito mais fácil e você pode retornar depois para visitar aquele museu que gostou ou aquela lojinha que não deu tempo de ver.
Dito isso, vou sugerir aqui alguns dos pontos da cidade que mais me marcaram.
Cidade Antiga
É o coração da cidade, uma região histórica e onde não é permitido entrar carro. Nós percorremos ela toda a pé. Começamos pelo Castelo Real, inconfundível pela sua vibrante cor laranja que fica de frente pra Coluna do Rei Zygmund (ou rei Sigismundo).

Como o nome já diz, a coluna é uma homenagem ao rei polonês que ficou conhecido por transferir a capital do país de Cracóvia pra Varsóvia. Dizem os poloneses que “quando o rei empunha sua espada para o céu, o país está em paz e quando a espada toca o chão, a Polônia vive seus piores dias”, fazendo uma referência à Segunda Guerra Mundial quando a coluna foi destruída e a estátua do rei derrubada. A coluna que vemos de pé é, na verdade, uma réplica. Dentro do pátio do castelo é possível ainda ver os pedaços danificados da original, dispostos na horizontal pro público. A estátua do rei, por outro lado, é original. Ela foi restaurada e colocada de volta no topo da coluna.
É possível visitar o interior do Castelo Real em uma visita que dura em torno de 1h. Lá você pode visitar as salas e cômodos do castelo, todos ricamente decorados e ornamentados. [nós não fizemos a visita]
De lá seguimos pelas ruazinhas até a Praça do Mercado. Essa é a praça mais bonita da cidade, na minha opinião. As casinhas ao redor são todas coloridas e de arquitetura bem típica, com diversos bares e restaurantes dando um movimento por ali. Essa praça ficava no coração da cidade e sempre foi um dos centros de maior importância. Lembra que falei sobre a reconstrução da cidade? Essa praça é um ótimo exemplo; ela foi completamente reconstruída depois dos bombardeios exatamente do jeito que ela era antes.


No centro da praça está a estátua de uma sereia, um dos principais símbolos da cidade. A lenda por trás da sereia tem duas vertentes. A mais provável e divulgada é de que uma sereia chamada Sawa foi salva por um homem chamado Wars de uma tentativa de captura. Como forma de agradecimento, a sereia se comprometeu a proteger a cidade do guerreiro e é por isso que na estátua a sereia está com um escudo e uma espada. O nome da cidade em polonês é Warsawa, justamente a junção do nome dos dois. No século XIX era comum alguns moradores dizerem ter avistado a sereia nadando pelo rio Vistula que corta o centro. A segunda lenda, um pouco menos disseminada, é que um príncipe foi indicado por uma sereia a ir a uma determinada aldeia. Chegando lá, ele conhece uma mulher com dois filhos, que lhe deram abrigo e comida. O príncipe, então, doou uma porção de terra às crianças chamadas Wars e Sawa que ficava justamente onde nasce a cidade polaca de Warsawa. Diz a lenda que a sereia nesse momento emergiu e abençoou a cidade, adotada como símbolo desde então.
De uma forma ou de outra, a sereia é o símbolo da cidade e disso ninguém discorda. A estátua foi colocada ali no centro da praça somente no ano 2000 (é relativamente recente), mas foi muito bem aceita pela população. Realmente, é a combinação perfeita: a estátua que é o símbolo da fundação de Varsóvia justamente no centro da praça que foi sempre tão fundamental na evolução da cidade.
Um pouco mais adiante, atrás da Igreja de São João Batista, fica a Praça do Sino. É uma pequena praça com um sino no centro. Segundo as crenças populares, acredita-se que quem der três voltas ao redor do sino em um pé só tem direito a um desejo realizado.

A cidade antiga já foi toda amuralhada, mas com o passar do tempo e o crescimento da cidade, parte da muralha foi desaparecendo. Séculos depois, as muralhas da cidade foram reconstruídas. em alguns pontos ainda é possível ver pedaços da fortaleza. O melhor lugar pra isso e parada obrigatória é o Barbakan Warsawski, antigamente o portão principal da cidade. Quando fomos, estava tendo uma exibição de artistas locais, foi muito interessante! O Barbican merece a visita tanto de dia, quanto de noite, quando ele fica todo iluminado! A região é bem movimentada e cheia de barzinhos e restaurantes.

Dica: perto dali tem vários restaurantes típicos poloneses e com preço muito acessível! Os Bares Mleczny (polonês pra “milk bar”, “bar de leite”) são um estilo polonês de restaurante/cafeteria que surgiu na época do comunismo. O nome se deu porque o bar mleczny original tinha um menu baseado em laticínios, mas eles também servem outros pratos típicos da culinária polonesa. O objetivo era oferecer comida local e caseira a preço baixo pra que todos os poloneses pudessem fazer, pelo menos, três refeições por dia. Você encontra refeições completas por 2-3€ e a comida é deliciosa e realmente caseira.
Pra finalizar, o nosso tour da cidade antiga terminou no Monumento dos Insurgentes, feito pra homenagear os heróis anônimos que lutaram contra os nazistas e deram a vida em nome da liberdade da Polônia. Muitos deles eram judeus que tinham sido obrigados a viver em guetos, uma área isolada da cidade.
Precisa de um chip internacional para a sua viagem?
Esse é o chip que a gente sempre compra nas nossas viagens internacionais:
Palácio Presidencial
O edifício é a residência oficial do presidente polonês. Apesar de não ser possível entrar no palácio, só ver o prédio por fora já vale a pena! A arquitetura é linda, muito bem conservada e fica todo iluminado a noite. Bem na frente do palácio tem uma estátua equestre do Príncipe Józef Poniatowski e os tradicionais guardinhas com o uniforme oficial. Se você der sorte, ainda consegue passar lá no momento que eles estão fazendo a troca da guarda, que é bem tímida mas legal de ver.

Parque Lazienki
O maior parque da cidade fica bem no Caminho Real, rota que liga o Palácio Wilanów ao Castelo Real. Ganhou esse nome porque era o caminho favorito dos reis pra ir de um palácio ao outro. Hoje em dia é uma das principais ruas da cidade, cheia de lojas, restaurantes, passando ainda por atrações como o Palácio Presidencial, o Museu do Chopin e o próprio Parque Lazienki.

O nome do parque em polonês é Park Łazienkowski ou Łazienki Królewskie, que significa “Parque dos Banhos” ou “Banhos Reais”. Como o nome já diz, o parque foi inicialmente construído como casa de banho dos nobres no século XVII. No século seguinte o rei Stanislau Augusto fez do parque um lugar para palácios, “villas” e monumentos e, posteriormente, ele foi aberto ao público.
O prédio principal é o Palácio na Ilha, onde ficava efetivamente a casa de banho. Seu interior já sofreu várias mudanças com o tempo, só um pouco da decoração inicial permaneceu intacta. O palácio fica na beira do lago e é uma das vistas mais bonitas do parque! Além dele, vale a visita nos outros prédios como o Anfiteatro, a Pequena Casa Branca, os dois Laranjais e o Myślewicki Palace. Em termos de monumentos, provavelmente o mais importante é em homenagem ao Chopin (foto abaixo), famoso e adorado compositor polonês.

O parque hoje em dia é palco de diversos eventos musicais e culturais. Durante os meses mais quentes do ano, fica bem cheio e todo florido! Visitamos a cidade em Abril, o clima ainda estava bem frio mas fizemos a visita no final do dia e foi incrível! Pegamos o sol se pondo bem no Palácio da Ilha, olha só!

Palácio da Cultura e Ciência
É considerado o prédio mais alto da Polônia com 237 metros e 42 andares, além de ser o oitavo mais alto da União Europeia. Se você vê alguma semelhança entre ele e as Sete Irmãs, os sete prédios de Stalin em Moscou, você tá certíssimo! O prédio tem o mesmo estilo e foi um presente dado pela URSS ao país.
Entre os locais, tem muita polêmica que gira em torno desse prédio. Os polacas, principalmente os de antigas gerações, não gostam dele por ser um símbolo e uma lembrança da dominação soviética sobre o país. Tem ainda quem argumente que mesmo sem considerar essa conotação política, o prédio é destoante do resto da arquitetura da cidade antiga. Hoje em dia esse contraste já foi um pouco amenizado, pois muitos arranha céus foram construídos na região que o Palácio fica.
Bem ou mal, o prédio é um dos pontos principais da cidade e é muito visitado tanto por turistas, quanto pelos locais. Ele atualmente serve como um centro de exibições com cinema, salas de teatro, dois museus, livraria, um auditório, piscina e até uma universidade que ocupa dois andares do prédio. Entre os turistas, entretanto, a mais famosa atração do prédio é o trigésimo andar que tem um deck de observação que dá vista panorâmica pra toda a cidade. Pra dar um pouco de vida, desde 2010 o prédio a noite fica todo iluminado depois de uma grande modernização da iluminação. É impossível passar despercebido.

Informações gerais:
- A Polônia faz parte da União Europeia desde 2004, então segue as regras do Acordo de Schengen assim como os outros países da EU: brasileiros não precisam de visto pra entrar e permanecer no país por até 3 meses.
- O seguro de viagem é obrigatório! A gente faz sempre o VitalCard quando viaja e indicamos muito. Clicando nesse link você pode contratar o mesmo seguro e ainda ajudar o blog! Você não paga nada a mais por isso, mas fazendo a transação por esse link eles sabem que vocês foram redirecionados a partir daqui e a gente recebe uma comissãozinha pela indicação, ajudando a manter o Cachos no ar.
- A moeda polaca é o zloty, mas estivemos por lá em 2015 e o euro foi bem aceito na grande maioria dos lugares. Vale a pena ficar atento sempre na conversão, pode ser que pagar com zloty valha mais a pena em alguns casos.
- A Polônia é um país barato considerando o resto da Europa – boa pedida pra quem tá fazendo mochilão.
- A língua oficial é o polonês, mas falando inglês dá pra se virar tranquilamente por lá. Mesmo assim, vai aqui umas palavrinhas básicas de polonês pra você poder ser educado na rua.
| Português | Polonês |
| Obrigado | Dziękuję |
| Por Favor | Proszę |
| Com licença | Przepraszam |
| Desculpa | Przepraszam |
| Você fala inglês? | Czy mówisz po angielsku? |
No mais, aproveite muito a sua viagem! Conhecer Varsóvia não estava em prioridade nos nossos planos, mas a cidade completamente nos surpreendeu e a gente adorou! Aproveite pra provar pratos da culinária local, a comida tem gostinho de comida caseira e é uma delícia!
Outros guias que podem te interessar
- Roteiro de 15 dias pelo Leste Europeu
- O que fazer em Tallinn, capital da Estônia
- Como planejar uma viagem para a Europa
Beijinhos
Fê
Organizando a sua viagem
Para te ajudar a planejar a sua viagem, juntamos algumas dicas de ferramentas e plataformas que a gente usa nas nossas próprias viagens:
- Acomodação: Encontre as melhores opções de hoteis e apartamentos no Booking.com
- Aluguel de carro: Usamos sempre o Discover Cars para encontrar as melhores ofertas
- Atividades: Reserve atividades de todos os tipos com a GetYourGuide ou o Viator
- Cartão internacional: Ao invés de fazer câmbio local e levar dinheiro físico, eu recomendo usar o cartão da Wise
- Chip de celular: Mantenha-se conectado durante a sua viagem com a Airalo
- Ingressos: Use o site da Tiqets para comprar ingresso online para qualquer atração
- Seguro médico de viagem: A SafetyWing é a empresa que a gente recomenda para coberturas internacionais
- Transporte: O Omio é uma plataforma super útil para encontrar passagens de ônibus, trem, etc
Obs: Esta página contém links de programas de afiliados. Qualquer compra realizada através destes links garante uma pequena comissão para o blog, sem nenhum custo adicional para você. Obrigada por ajudar a manter o site no ar!
