É possível viver de viagens sem largar tudo?

Nesse mundo de redes sociais em que vivemos, parece que ser viajante se tornou um sonho de muitos. Isso é algo natural, já que hoje em dia viajar o mundo é muito mais fácil do que era há 20 ou 30 anos atrás. Muitos influenciadores hoje em dia vendem a ideia do sonho de “largar tudo”, sair do emprego estável, não ter endereço fixo para viver viajando. Mas será que é preciso largar tudo para ser um viajante?

Resolvi escrever esse post como uma forma de reflexão e contém a minha opinião pessoal.

Viagens no mundo digitalizado

Essa nossa geração tem um benefício incrível às suas mãos que é a facilidade de informação. A internet tem um papel gigantesco nisso, quebrando barreiras e aproximando distâncias físicas.

Pensa comigo, pros nossos avós ou pais manterem uma amizade com alguém do Japão, eles tinham que enviar cartas que demoravam meses para chegar. Não que fosse algo impossível, mas era muito mais trabalhoso. As notícias viajavam devagar. Hoje em dia, com um computador ou um celular você pode conversar com pessoas em qualquer lugar do mundo.

Isso não facilitou só a comunicação, mas também a organização. Planejar uma viagem hoje é zilhões de vezes mais fácil e prático. Já parou para pensar no quão incrível é você estar sentado no conforto da sua casa e conseguir acessar os horários, preços e trajetos dos trens lá na Eslovênia? O acesso à informação ficou tão simples que planejar viagem se tornou algo que qualquer um pode fazer sem sair de casa. Isso reduziu as barreiras físicas do mundo. Fez o mundo parecer um lugar menor.

Mas e as redes sociais?

Além de informação, esse mundo digitalizado da internet trouxe também a era das redes sociais. O Instagram, por exemplo, é uma das principais redes usadas no mundo e é baseada em fotos. Não demorou muito para a rede ficar tomada por fotos dos cantos mais inusitados desse mundo. Fotógrafos profissionais, modelos com todos os looks possíveis, passeios exclusivos a lugares inusitados… como não se deixar influenciar e desejar isso também? Eu mesma me incluo nisso, já que tenho um Instagram onde só compartilho fotos de viagens.

Essa “febre viajante” é um fenômeno incrível!!! – mas perigoso. Deixa eu me explicar… Acho maravilhoso que a internet traga inspiração e te permita viajar sem sair do lugar. É incrível poder descobrir lugares que você nunca imaginou existir. Ver fotos de países que você nunca se interessou e já botar ele na sua wishlist mental. É muito maravilhoso poder acompanhar a jornada de uma pessoa pela internet… alguém que você admira o tipo de foto ou o conteúdo que ela posta.

Mas o perigo disso tudo é a comparação, que leva à inveja e depressão. Esse mundo de redes sociais pode ser muito utópico e irreal, com as pessoas sempre esbanjando os maiores sorrisos todos os dias.  Fica até fácil esquecer por um momento que ali atrás também tem um ser humano. Nem sempre as fotos retratam verdadeiramente o dia-a-dia daquela pessoa, todo mundo tem dias bons e ruins. Mas muita gente se pega invejando o estilo de vida que ela prega ou comparando a sua realidade à dos outros, levando a um sentimento de depressão com a sua própria realidade.

O sonho de “largar tudo e viver de viagem”

Com a internet, surgiram também profissões novas. Influenciadores digitais. Blogueiros. Criadores de conteúdo. Youtubers. Nada disso existia como profissão há alguns anos – pelo menos não de maneira tão disseminada.

Mas hoje em dia é muito mais fácil ganhar dinheiro com a internet. Algumas pessoas viram a brecha de oportunidade e aproveitaram. Fizeram disso seu ganha pão e – não se engane – trabalham DURO para conseguir manter esse estilo de vida. Ser um criador de conteúdo envolve muito trabalho e dedicação e é uma profissão que deve ser valorizada como qualquer outra.

O único problema que vejo nisso tudo é vender o sonho de “largar tudo e viver de viagem” como se fosse mil maravilhas. Como se fosse simples e fácil. Como se fosse a opção perfeita para poder viajar.

Gente, não é bem assim. Cada pessoa é de um jeito.

Como viajar sem largar tudo?

Eu, por exemplo, sou formada em Engenharia Bioquímica. Estudei uma área bem específica e estive sempre relacionada a coisas ligadas à sustentabilidade, biotecnologia e inovação. E eu sou fascinada por tudo isso. Eu amo o que estudei e amo que agora tenho a possibilidade de trabalhar com algo que pode fazer do mundo um lugar melhor. Não tenho nenhuma pretensão de viver sem trabalhar com isso – nem de parar de viajar.

É claro que o mundo do trabalho é frustrante muitas vezes, mas ele traz estabilidade que, para mim, é fundamental. Viajar é a minha coisa preferida de fazer… como hobby. Se eu passasse a ser Criadora de Conteúdo como profissão, viajar deixaria de ter esse status de hobby e seria o meu trabalho. Chegando em um hotel, ao invés de sair correndo e pular na cama, às vezes eu teria que ir e filmar o quarto todo antes para mostrar. Talvez acordaria antes do sol nascer para fazer fotos nos pontos turísticos enquanto ainda estão vazios, mesmo que eu odeie acordar cedo.

Quero deixar claro que não tem nada de errado com isso. O meu ponto é que você tem que ser apaixonado pelo que você faz. Se criar conteúdo é a sua paixão e você faz com prazer, então talvez seja uma boa opção para você. Mas se você gosta de ser um advogado, um médico ou um engenheiro, tá tudo bem ficar no seu emprego e ser viajante nas outras horas se isso te faz feliz.

O meu objetivo aqui com esse post é mostrar que DÁ SIM para ser um viajante sem largar tudo. Basta organização e planejamento! Essas duas palavrinhas são a chave de tudo!

Organização

A organização é parte fundamental para qualquer viajante – mesmo aqueles mais desorganizados. Você pode até gostar de fazer viagens livres e com pouco planejamento logístico, mas é preciso organizar o seu mês e o seu calendário se você quer viajar.

A dica número 1 é aproveitar todo e qualquer feriado. Eu já morei na Inglaterra e na Holanda e posso afirmar: nós brasileiros somos muito sortudos, a gente tem feriado pra caramba!! Use isso a seu favor. Programe com antecedência os feriados que vão emendar, aproveite as suas folgas para preencher as semanas.

A dica número 2 é quanto aos dias de férias. É claro que isso depende muito do seu emprego, mas, sempre que possível, quebre as férias. Se você tem direito a 20 dias por ano e tem a possibilidade, use 10 dias e 10 dias de maneira separada. Quem sabe juntar isso em algum feriado para já fazer uma viagem ainda maior? Seja criativo nessa hora e faça bom uso dos seus dias de férias, afinal, eles são merecidíssimos depois do seu trabalho.

Planejamento

O planejamento que eu falo aqui é o planejamento financeiro. De que adianta ter dias de férias se você não tem dinheiro pra viajar? Nada. Você precisa ter um planejamento financeiro ao longo do ano inteiro para isso tudo funcionar.

É tudo uma questão de prioridades… Eu, por exemplo, não costumo comer muito na rua durante a semana, sempre preferi levar minha marmita (amo comidinha caseira). Deixo para comer fora aos finais de semana ou ocasiões especiais. Também não costumo comprar muita roupa. Tenho poucas coisas, mas amo e uso muito tudo o que tenho. Hoje em dia compro mais por necessidade. São escolhas minhas porque minha prioridade é juntar dinheiro pra gastar com experiências.

Defina bem as suas prioridades e se viajar estiver lá no topo da lista, você vai conseguir sacrificar uns outros luxos no dia a dia pra fazer isso acontecer.

Criatividade

Esse último tópico foi bônus… mas gente, sério, hoje em dia dá pra viajar muito sem nem sair do sofá. Já assistiu um filme que se passa pelos vinhedos da Toscana para ver se você não se sente viajando? Ou leu um livro que o personagem faz trilhas incríveis nos Estados Unidos e se imaginou vendo aquelas paisagens descritas?

Livros, filmes, séries, documentários, músicas… tem mil e uma maneiras de se viajar sem nem sair do sofá hoje em dia. Minha gente, Netflix tá aí pra isso!! Seja mais consciente em relação ao que você consome. Ao invés de ficar preso em besteiróis e notícias de fofocas, busque filmes que contem histórias verídicas ou que pelo menos foram filmados em lugares reais. Esse conteúdo é tão fácil e acessível e é um jeito incrível de aprender sobre o lugar sem fazer quase nenhum esforço.

Sem falar na sensação de realização depois que você visita pessoalmente um lugar que já leu em livro. Sério, é mil vezes mais emocionante do que conhecer um lugar aleatório. Você se sente lá dentro da história do livro! É maravilhoso!!

É isso, fim do momento reflexivo por aqui. Se tiverem alguma opinião sobre isso, deixem nos comentários (:

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Beijinhos

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