Deserto do Atacama: Roteiro nas Lagunas Escondidas e Valle de la Luna

Já que no primeiro dia de passeio sofremos com a decepção de não poder visitar a Laguna Cejar e dar o tão famoso mergulho-sem-afundar nas suas águas salgadas, resolvemos compensar iniciando o segundo dia com as Lagunas Escondidas. Esse é um passeio relativamente novo no Atacama e está sendo cada vez mais explorado, já que é ótima uma alternativa à Cejar.

Lagunas Escondidas

O segundo dia de passeio começou às 9h da manhã – é essencial sair cedo porque o trajeto até as Lagunas Escondidas demora 1h por ter 45km de estrada de terra. Para aqueles que, como nós, vão de carro próprio: não se desesperem ao colocar no Maps e não aparecer nada. As Lagunas estão marcadas como Lagunas Baltinache, nome original do complexo.

A entrada custa 5.000CLP (R$25), sendo o ingresso de estudante apenas 3.000CLP (R$15). A compra do ingresso dá acesso às lagoas e ao banheiro/vestiário que está localizado na própria recepção.

O complexo das Lagunas Baltinache conta com 7 lagoas de água salgada, onde apenas a primeira e a última são apropriadas para banho por serem mais profundas. As cinco lagoas intermediárias são muito rasas, então o banho não é permitido para não destruir o ambiente. Por outro lado, essas mais rasas têm a água cristalina com um tom de azul muito mais impressionante, enquanto as mais fundas têm uma coloração azul mais densa.

A água tem uma coloração azul turquesa que parece de mentira!

A primeira lagoa (apropriada para banho)

Por que não posso tomar banho nessas outras?

A água das lagoas tem uma concentração de sal 7x mais alta do que a do oceano, é por isso que é impossível afundar. Com o sol e calor, a água das bordas evapora, formando finas camadas de sal. Para quem vê de fora, essa camada pode parecer solo firme, mas na maioria das vezes não passa de alguns centímetros e acaba quebrando por não aguentar o peso de uma pessoa. Para a preservação das Lagunas, foi estabelecido que essas cinco lagoas intermediárias não tinham profundidade adequada para banho.

Há um caminho a ser seguido por entre as pedras beirando as lagoas, sem que elas sejam postas em risco. Infelizmente, o caminho ainda não é perfeitamente sinalizado, então muitos visitantes ainda caminham pelo meio do sal por falta de instrução. Para ser um turista consciente, basta prestar atenção no caminho que tem a marca de pegadas por entre as rochas, é bem fácil de segui-lo.

O caminho por entre as pedras

O horário de saída pros passeios é o ponto chave para encontrar o lugar vazio e tranquilo e conseguir realmente aproveitar. Chegamos lá por volta das 10h e só havia um grupo de turismo no local. Fizemos o caminho até a última lagoa tirando muitas fotos e ouvindo um pouquinho da explicação do guia. Quando chegamos na última, tivemos a feliz surpresa: todas as pessoas do grupo decidiram mergulhar na primeira lagoa. A última era só nossa!

A última lagoa é a maior (também apropriada para banho)
O guia (de vermelho) mostrando o caminho correto sem pisar no sal

Quando esse passeio é feito com empresas de turismo, na maioria das vezes é servido um café da manhã/lanche na beira da primeira lagoa e há um roupão branco incluso no pacote. Há passeios de manhã, mas a maioria deles sai para ver o por do sol nas Lagunas – não vimos, mas deve ser incrível! Cabe à preferência de cada um escolher o tipo de passeio que mais agrada.

As lagoas do meio são as mais impressionantes

A sensação de não afundar é inexplicável. Logo que se entra na água, os pés são empurrados pra cima e é impossível não boiar. Ficamos lá boiando por quase 1h, com direito a muitas risadas, brincadeiras e fotos. O nosso Mar Morto particular em pleno Deserto! Não deixe de mergulhar, mesmo que esteja com frio, preguiça ou qualquer motivo bobo! É uma sensação única!

Muito cuidado se for entrar na água com Gopro e afins, o meu selfie stick ficou tão danificado com a ferrugem que quebrou
lagunas escondidas

Diversão garantida! Não deixem de mergulhar!

Dicas

  • A água é MUITO salgada, não deixe entrar nos olhos pois arde muito. O ideal é não molhar o rosto.
  • Por causa do motivo acima, não mergulhar!!!! Entrar na água pelo canto, com calma.
  • Se você tiver qualquer machucado ou ferida aberta, vai arder bastante.
  • Levar toalha.
  • Levar água doce – tanto para beber, quanto uma garrafa para depois tirar o sal do corpo. Assim que saímos da lagoa, a água evapora e fica uma crosta de sal branca na pele que pode ser bastante incômoda na caminhada de volta.
  • Levar óculos de sol – a paisagem é muito branca, assim como qualquer salar.
  • Passar MUITO protetor – água com sal queima ainda mais.
  • Ir de chinelo/sapato, o caminho é entre pedras de sal que machucam o pé.
  • MUITO cuidado ao manusear eletrônicos depois de mergulhar – uma água salgada assim enferruja qualquer coisa.
  • Não é aconselhável molhar o cabelo, fica MUITO ressecado.

O caminho de volta até o estacionamento leva em torno de 20 minutos. Na saída, paramos nos vestiários da entrada que têm chuveiros de água doce para tirar o sal do corpo e trocar de roupa. Essa portaria dos banheiros é um pouco distante do estacionamento e das lagoas, não é prático de ir e vir a pé. Esteja preparado para isso antes de mergulhar.

CUIDADO!

O caminho para as Lagunas envolve um trecho grande de estrada de terra. Como já disse no meu post com todos os detalhes sobre alugar carro no Atacama, é muito aconselhável ter um carro 4×4 por lá. Botamos essa teoria a prova algumas vezes.

Na volta das lagoas, ao cruzar com um outro carro, o nosso pneu furou e tivemos que fazer a troca ali mesmo. Contamos todos os detalhes no post acima, só fica o aviso que a estrada de terra parece tranquila, mas é cheia de pedrinhas que podem acabar com o seu dia. Dirija sempre com cuidado.

Com esse imprevisto de trocar pneu, passar na locadora, concertar o pneu, etc, acabamos resolvendo fazer um almoço tranquilo em casa para relaxar e aproveitar melhor o passeio da tarde. Decidimos ir, então, no Vale da Lua e saímos por volta das 15/16h.

Valle de la Luna

Ou, na versão em português, Vale da Lua.

A entrada para o Vale é paga e pode ser feita em conjunto com a Pedra do Coyote, o que vale muito a pena. Como já havíamos sido informados disso, fomos primeiro na Pedra do Coyote que fica alguns quilômetros adiante na estrada, para depois voltar e ficar no Vale até o famoso por do sol. A entrada para os dois custa 3.000CLP (R$15), mas para estudantes fica 2.500CLP (R$12,50).

Esse é um passeio muito prático de ser feito, pois o Vale da Lua fica muito próximo de San Pedro, algo em torno de 10km. O mais comum é fazer o tour já pensando em ver o por do sol na duna maior do Vale, mas fomos informados que pela manhã é muito mais vazio. Vimos muitas pessoas de bicicleta por lá. Como é uma das atrações mais próximas da cidade, o Vale da Lua concorre com o Vale da Morte para a opção mais cotada dentre os ciclistas. Se esse for seu caso, avalie antes de pegar o ingresso incluindo a Pedra do Coyote já que ela fica acima das montanhas.

Vista panorâmica que se tem do Vale

O caminho a partir da guarita da Pedra do Coyote é bem demarcado e tem dois estacionamentos, com um caminho a pé demarcado entre ambos. Tem também banheiro disponível e algumas mesas e bancos apropriados para um piquenique. A vista é espetacular! É possível ver o Vale de cima, de uma perspectiva completamente diferente de quando se faz o passeio pelo Vale da Lua. Na minha opinião, os dois passeios se complementam perfeitamente.

A gente fica pequenininho diante dessa imensidão

A Pedra do Coyote em si é uma pedra que ficou famosa por ter uma ponta suspensa. Entretanto, ela está rachando e o acesso a ela foi restrito por motivos de segurança. A rachadura é tão grande que é possível vê-la a olho nu. Foram colocadas diversas placas de “No Pasar”, o caminho foi cercado para impedir os turistas de chegarem muito na beirada e há uma guarita de segurança bem de frente para a pedra.

Apesar das tentativas da organização de manterem os turistas afastados, ainda existem muitos que insistem em ir na ponta da pedra e muitos guias que encorajam esse tipo de comportamento. Nós aqui do Cachos sempre prezamos por um turismo consciente. Se todos os visitantes respeitarem essas regras, essa escultura da natureza vai estar ali por muito mais tempo.

Dá pra ver a rachadura na pedra!

Além de só visitar, algumas pessoas fazem trekking por cima do Vale e existem algumas trilhas que começam ali. Para saber mais informações sobre essas trilhas, quando estão boas e qual o nível de dificuldade, é preciso procurar um serviço especializado em agências no Centro de San Pedro. Não é indicado fazê-las por conta própria.

Dica: como o passeio fica no topo das montanhas, é importante levar casaco! O vento é bem forte! A gente fez uma listinha com tudo o que não pode faltar na sua mala.

Depois de admirar essa paisagem incrível, fomos em direção ao Vale da Lua. É importante ter em mente que o último horário para entrada no parque é 19h e o último horário para subida da duna maior é 19:40. O parque tem algumas atrações que são depois da duna maior, mas conforme chega a hora do por do sol, o acesso é fechado. Portanto, planejem-se para conseguir explorar bem o parque.

Um ponto que eu tenho que elogiar é a infraestrutura de informação. Esse é um dos poucos lugares do Atacama que reserva um espaço para contar aos turistas a história do local, como foi formado, o que eles vão encontrar pelo caminho… Logo na recepção (onde se compram os tickets se você for primeiro ao Vale) tem banheiros e um mini museu muito interessante! A rota a ser feita dentro do parque é muito bem demarcada no mapa que é entregue com o ingresso e o atendimento foi muito bom!

A primeira parada foi no Cânion e na Caverna de Sal, parando o carro no estacionamento logo em frente. Não tem muito como errar, pois seguindo a estrada é o primeiro estacionamento do caminho. O cânion é relativamente pequeno, já que não é permitido caminhar nele todo, mas é muito bonito! Como chegamos no final do dia, as luzes do por do sol já iluminavam as montanhas e deixaram toda a paisagem com uma tonalidade alaranjada ainda mais impressionante.

Esse era o Cânion. Não era permitido caminhar muito a frente

Para ir à Caverna de Sal, é preciso prestar bastante atenção na placa que indica a entrada. Passamos sem perceber pela primeira vez, mas perguntamos a uma guia e ela nos informou. O caminho da caverna é muito divertido, passa por pedaços em que temos que ir agachados, com lanterna e até com as mãos no chão. O caminho é bem estreito e deve ser feito em fila indiana, por isso pode ser que dê um certo congestionamento se tiverem muitas pessoas atravessando. Fomos em uma hora de “trânsito intenso” e demoramos quase 20 minutos para atravessar a caverna inteira.

Atenção: se você tem claustrofobia intensa, está com bebê de colo ou não consegue passar por ambientes mais estreitos, não indico fazer esse caminho. É possível subir por fora, contornando a caverna para ter a mesma vista do final. Encontrei algumas pessoas que desistiram no meio do caminho por serem claustrofóbicas e para retornar é difícil devido ao grande fluxo de pessoas em um espaço pequeno.

O caminho pode ser bem apertado às vezes
Vista ao final da caverna

Como já estava quase na hora do por do sol, fomos direto para a duna maior. Tem um estacionamento bem embaixo do caminho para a subida da duna. Subindo a montanha, as pessoas se espalham por toda a extensão da duna para garantir uma boa vista. A verdade é que não tem vista ruim, basta encontrar um cantinho confortável. Foi um dos mais espetaculares pores do sol que já presenciei!

Lembrando: venta MUITO! Logo que o sol se põe, o vento é bem frio. Ir preparado.

Essa é a duna maior
Visão panorâmica da duna (depois que a maioria das pessoas já haviam descido)

A dica mais valiosa que posso dar é: não vá embora com a multidão! O sol primeiro desaparece atrás do conjunto de montanhas no horizonte e nessa hora a maioria das pessoas se levantam e partem, mas ainda leva alguns minutos para ele efetivamente se por. Nesse momento, o céu é tomado por absolutamente todas as cores, desde o amarelo, laranja, vermelho até o roxo quando a noite começa a dominar.

A maioria das pessoas vai embora antes e perde esse show de luzes da natureza. O majestoso vulcão Licancabur fica no lado oposto do por do sol e, se você der sorte, ainda consegue ver a lua nascendo bem em cima do vulcão! É de arrepiar!

Os vulcões Licancabur e Lascar com suas respectivas nuvens
O lugar é perfeito para as fotos de silhuetas!
Deserto do Atacama

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6 Comentários

  1. maravilhosa a postagem porém algumas coisas já mudaram.
    a lagoa Cejar hoje éa única que está liberada para banho.
    as escondidas não pode mais entrar. estão todas interditadas

    1. Oi Edu,
      Obrigada pelo comentário! Realmente, esse artigo foi escrito há alguns anos, mas estamos em processo de atualização dos artigos do blog esse ano então vamos modificar as informações aqui em breve. Muito obrigada por ter compartilhado essas informações aqui, pelo menos já ajuda as próximas pessoas que lerem o nosso guia.

      Beijinhos,

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