Viagem para o Salar de Uyuni: 1 dia no Salar e Isca Incahuasi
Esse post faz parte da série “Roteiro Uyuni”, com o roteiro completo do passeio de 3 dias. Nesse post vamos embarcar no segundo dia de passeio, contando em detalhes tudo o que vimos. O nosso 1º dia de Roteiro Uyuni incluiu: Salar de Uyuni (alagado!!!) e a Isla Incahuasi. Dormimos, então, no Parque Nacional Eduardo Avaroa.
1º dia de Roteiro pelo Salar de Uyuni
Fizemos o passeio da própria cidade de Uyuni e acabando em San Pedro de Atacama, depois de 3 dias de viagem. Como escolhemos fazer o passeio nesse sentido, ao longo dos dias fomos avançando na Cordilheira e pegando altitudes cada vez maiores até chegar a 5.500m no terceiro dia. Esse aumento gradual é uma das grandes vantagens de fazer o passeio partindo da Bolívia. Assim não sofremos tanto com os efeitos da altitude.
Por outro lado, fazendo o passeio nesse sentido a gente vê logo no primeiro dia o ponto alto da viagem: o Salar. Os outros dias também tiveram atrações bonitas e impressionantes, mas não chega aos pés.
O nosso passeio custou 140 dólares ou 960Bs por 3 dias com tudo incluso. Saímos no dia 3 de Janeiro, tempo certinho porque o Rali Dakar passou por lá entre os dias 6 e 7 de Janeiro e a temporada de chuvas começou no dia 10, deixando muitos caminhos alagados.

Saída de Uyuni
Os passeios começam todos na mesma hora. Nosso guia nos buscou às 10:10am no hotel para começarmos o passeio às 10:30am. Nosso carro era um Toyota Lexus 4×4 com lugar para 6 pessoas. Nós estávamos em um grupo de 4 e foi mais um casal de franceses super gente boa com a gente. Logo na saída da cidade, vimos muitos carros indo na mesma direção e foi aí que o nosso guia nos contou: existem cerca de 200 carros de agências em Uyuni que fazem esse passeio e por dia saem cerca de 40-60 carros.
Imagina quanta gente! Cada um desses 40 carros tinha 6 turistas. Essa procissão de turismo é capaz de encher qualquer atração em segundos! Ficamos um pouco preocupados… Se você puder, tenta pedir na sua agência pro passeio começar um pouco antes e assim você encontra as atrações todas vazias antes da multidão.
Cemitério de Trens
A primeira parada foi no Cemitério de Trens que fica a menos de 10min de carro do centrinho de Uyuni. Sempre vi fotos desse lugar vazio, quase desértico e me decepcionei muito quando chegamos lá e todos os trens abandonados estavam tomados de gente tirando foto. Quase não deu vontade de sair do carro para fotografar.
Como bons turistas, é claro que fomos mesmo assim e conseguimos um cantinho vazio pra nos pendurar (ainda bem!). Esse cemitério de trens é formado por vários vagões abandonados e já todos enferrujados. Eles formam realmente um cemitério bonito na paisagem desértica. Vale umas boas fotos. Para encontrá-lo vazio e se você tiver um tempinho sobrando em Uyuni, pegue um taxi até lá no dia anterior pra ter todos os trens só pra você (se soubéssemos, teríamos feito isso).


Colchani
É um povoado local que tem muitas barraquinhas com artesanatos e souvenires. Os produtos tinham o mesmo preço das lojinhas da cidade, mas tinha muito mais variedade! É a última parada para comprar o que for antes de seguir para o Salar. A parada lá é de 30min.
Hotel de Sal e Monumento Dakar
Seguindo desde Colchani, o guia começa a sair da estrada e adentrar o Salar. A terra com caminhos demarcados dá lugar ao chão de hexágonos de sal. A primeira parada é logo no começo, no primeiro Hotel de Sal (que hoje em dia é museu). A construção é grande e atualmente tem um amplo salão com mesas que as pessoas usam para fazer a parada do almoço. Lá tem banheiro por 5Bs.
O Monumento Dakar é muito grande e, acredite ou não, as pessoas escalam ele! Quando chegamos já haviam vários grupos de turismo lá e tinha muita gente lá no topo! Foi até difícil uma foto vazia. É também no Hotel de Sal que tem o monumento das bandeiras, com uma para cada lugar do mundo em que já passaram pessoas por ali. Essa parte é uma diversão só, com pessoas de cada lugar do mundo procurando os seus países.
Logo que descemos do carro, ficamos maravilhados com aquela imensidão de sal. O Salar estava seco e o chão com as pedras de sal compactas em hexágonos quase perfeitos parece coisa de outro mundo! As pessoas logo nessa primeira parada já começam a tentar fazer as famosas fotos em perspectiva. Ficamos um pouco assustados com a quantidade de pessoas ali presentes, pois em todas as fotos que vi parece um lugar calmo e vazio.
Pra nossa sorte, o nosso guia fez a melhor proposta de todas: ele ofereceu de nos levar na parte alagada, desvio que nos faria andar 150km a mais, por apenas 100Bs para cobrir o custo da gasolina. É lógico que todos topamos na hora! Tiramos nossas fotos por ali rapidinho, usamos o banheiro e partimos rumo ao tão esperado espelho d’água.

Almoço no meio do espelho d’água do Salar de Uyuni
Seguimos para uma direção diferente da maioria dos carros. Enquanto estava no caminho das pedras de sal, o guia dirigia a cerca de 60km/h. Não pode ser muito rápido porque as pedrinhas de sal causam muitos danos ao carro. Estávamos todos com os olhos grudados nas janelas tentando absorver aquele lugar.

A transição para a parte alagada aconteceu quase que de uma hora pra outra, como se entrasse em uma poça. Do nada, o guia diminuiu a velocidade para 20km/h e começamos a ouvir o barulho da roda passando pela água. Quando nos demos conta, a paisagem inteira tinha se tornado um imenso espelho. As nuvens no céu e refletidas no chão se confundiam no horizonte. É coisa de outro mundo, sério!

Andamos por um tempo com o Davi procurando o melhor lugar para pararmos. Em toda essa parte alagada, se cruzamos com 5 carros foi muito. São realmente pouquíssimas as pessoas que sabem dessa parte que fica alagada mesmo quando o resto do salar está seco e poucos guias que topam/oferecem levar as pessoas até lá. O Davi ganhou nosso coração com esse passeio.
Descemos todos os 6 do carro correndo e ficamos andando e tirando fotos enquanto ele preparava o nosso almoço. Se alguma vez na vida eu já tentei imaginar como era o céu, com certeza pensei em um lugar assim. A camada de água estava fina, mas é imprescindível um sapato impermeável e com sola grossa, pois as pedras de sal podem incomodar.


Nosso almoço foi simples, comemos apoiados no capô do carro, mas não podia ter sido melhor. Não consigo juntar as palavras pra descrever pra vocês a sensação incrível que é estar nesse lugar, mas posso dizer que esse simples almoço foi um dos pontos mais altos da minha vida.
Isla Incahuasi
Depois do almoço, fizemos o caminho de volta pro roteiro original até a Isla Incahuasi. Quando voltamos para a parte seca do Salar, voltamos a cruzar com diversos carros de passeio. É impressionante a forma como os guias se localizam. Estando lá é fácil imaginar como pessoas inexperientes se perdem, pois para todos os lados a paisagem é a mesma. O sal parece infinito.


A entrada na Isla custa 30Bs e é uma parada de 1:30h. Logo perto da recepção, tem banheiros (muito limpos!) para quem pagou a entrada da ilha e uma cantina simples com snacks e bebidas pra recarregar as energias. A trilha dá a volta na ilha e é uma caminhada tranquila com algumas subidas, o suficiente para algumas pessoas já sentirem os efeitos da altitude.
Os cactos que povoam a ilha inteira são realmente imensos! Alguns medem 4m de altura. A vista no topo da ilha é linda, dá pra ter um panorama bem grande do Salar. Essa parada rende fotos muito boas! Se você tem curiosidade em saber como a Isla Incahuasi se formou, eu contei explicadinho no post geral sobre o Uyuni!
Fotos em perspectiva
Já estava se aproximando da hora do por do sol (que tínhamos pedido pro Davi pra gente ver no Salar e ele concordou), então seguimos para um pedaço vazio para fazer as famosas fotos em perspectiva. A verdade é que essas fotos podem ser feitas basicamente em qualquer lugar, mas como fizemos o desvio para ver a parte alagada, só pudemos parar no final do passeio.
O nosso guia foi um amor e nos ajudou nas fotos, dando ideia e até deitando no chão para ser nosso fotógrafo. Ele tinha um dragão de brinquedo para usarmos na figuração das fotos e foi muito paciente e solícito com a gente!


Infelizmente, o tempo ficou nublado bem aonde o sol ia se por e acabamos tendo que nos contentar em ir direto para o alojamento sem por do sol. Faz parte, né?
Alojamento da primeira noite: hotel de sal
No caminho para o alojamento, já na estrada de terra e já a noite, caía uma chuva muito forte quando o nosso pneu furou. No meio do nada, sem sinal de telefone nem ninguém para ajudar. O Davi prontamente foi lá pra fora e trocou o pneu sozinho. Oferecemos ajuda, mas ele disse que não precisava e, pra ser sincera, ele parecia saber melhor o que estava fazendo do que nós.

Seguimos caminho para o alojamento. Não faço ideia como eles se localizam, ainda mais a noite, mas o Davi ganhou o restinho da nossa confiança nesse momento. Sabe-se lá como, ele não se perdeu e chegamos no nosso alojamento de sal. O jantar foi uma delícia, tinham quartos duplos (alguns com duas camas de solteiro e outros com cama de casal), banheiro e chuveiro com água quente e tomadas para carregarmos os eletrônicos. Quando chegamos, já haviam vários grupos lá jantando e o clima estava super descontraído na sala.
Dica: algumas pessoas deixaram para tomar banho na manhã do dia seguinte. Como quase todo mundo sai ao mesmo momento, o fluxo de pessoas é intenso e a água acabou.

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