Viajando pelo Salar de Uyuni: 1 dia nos Geiseres e Deserto de Dali
Esse post faz parte da série “Roteiro Uyuni”, com o roteiro completo do passeio de 3 dias. Nesse post vamos embarcar no terceiro e último dia de passeio, contando em detalhes tudo o que vimos. O nosso 3º dia de Roteiro Uyuni incluiu: Geiser, Salar de Chalviri, Deserto de Dali e a Laguna Verde. Além de cruzarmos a fronteira para o Chile, chegando finalmente a San Pedro de Atacama.
3º dia de Roteiro Uyuni
Como contei no post com o nosso roteiro do 2º dia em Uyuni, dormimos no alojamento dentro da Reserva Nacional Eduardo Avaroa a aproximadamente 4.300m de altitude. Acordamos às 4:30am para sair às 5am em busca dos Geiseres. Ainda estava de noite quando saímos e a recompensa por madrugar foi poder ver o céu inteiramente coberto de estrelas. A visibilidade ali é muito boa, assim como no Atacama.
Esse último dia começou muito cedo, mas foi um dia curto pois encerramos o passeio em San Pedro de Atacama para seguir viagem. Se tivéssemos optado por terminar em Uyuni, voltaríamos todo o caminho até a cidade nesse mesmo dia chegando em torno de 18h.
Geiser (Sol de la Mañana)
O caminho do alojamento até os Geiseres durou quase uma hora, mas o tempo passou muito rápido com o visual incrível do sol nascendo. Para a nossa surpresa, todo o caminho estava coberto de neve e gelo, o que deixou a paisagem ainda mais incrível! A última coisa que eu esperava era encontrar tudo branquinho do jeito que vimos!
Esse foi o momento de maior frio que passamos, saímos com -8ºC!!! Nesse dia é imprescindível um bom casaco corta vento, luvas, gorro e todos os apetrechos de frio. Como chegamos a altitudes muito altas, além do frio também temos que lidar com um vento cortante. Além do maior frio, esse também foi o passeio que chegamos na maior altitude de todas.
Obs: fizemos essa travessia na primeira semana de janeiro. Ou seja, auge do verão! Não subestimem o frio do deserto.


Chegamos aos 5mil metros alguns minutos antes do sol nascer e já avistamos de longe as fumaças dos Geiseres. Ao nos aproximarmos pude ver que tem uma região bem no centro onde ficam concentrados os maiores, mas existem outros menores e mais isolados. Pra quem tem alguma dúvida de que aquilo é realmente autêntico, o cheiro de enxofre no ar vem pra garantir que a fumaça é proveniente da atividade vulcânica.
Nas maiores crateras e fendas é possível ver lama borbulhando e respingando nos ousados que arriscam chegar muito perto. O chão é todo de lama bem grudenta, então é importante ir com um calçado impermeável e, de preferência, de solado grosso. É realmente a sensação de ver a terra ferver por dentro. Algumas das crateras têm atividade tão intensa que a fumaça exalada chega a muitos metros de altura.


O que são os Geiseres e como eles se formam?
Os Geiseres são fenômenos da natureza que ocorrem somente em área com intensa atividade vulcânica. Nas profundezas do solo onde se formam os Geiseres, há lava vulcânica a temperaturas extremamente altas. Essa lava esquenta o solo e as pedras ao redor.
Quando água em temperatura mais gelada proveniente das montanhas escorre, ela é absorvida e forma rios subterrâneos. Quando essa água gelada dos rios entra em contato com as pedras superaquecidas, ela passa pelo processo de evaporação em questão de segundos e acaba “explodindo” pelas fendas da terra. Essas fendas são os Geiseres. Com o passar dos anos de atividade vulcânica no mesmo local causando esse fenômeno, o minério presente nessa água acaba se acumulando ao redor da fenda.
O cheiro forte de enxofre é característico de fenômenos relacionados com atividade vulcânica. A lama que fica respingando e o líquido que ele expele são, na verdade, água extremamente rica em minérios. Os Geiseres têm a maior atividade justamente na hora do amanhecer. Quando a temperatura começa a subir, a fumaça reduz drasticamente, indicando a redução na atividade dos Geiseres. Por isso é preciso acordar TÃO cedo nesse último dia – e vale apena madrugar!

Ficamos ali observando e brincando até o sol nascer. O céu estava limpíssimo e as cores do amanhecer iluminaram o espetáculo de fumaça de uma maneira singular. Esse é realmente um dos pontos altos do passeio.
Salar de Chalviri
Esse lugar foi definitivamente a maior surpresa do nosso último dia. Não é que a gente não tenha gostado dos Geiseres e das termas, mas todas essas atrações já estavam no planejamento. Por mais incríveis que fossem, a gente já tinha certa expectativa de conhecer. O Salar de Chalviri pegou a gente de surpresa porque ninguém avisou que passaríamos por um lugar tão lindo. Eu nunca tinha visto foto, nem ouvido falar dali!
Saindo dos Geiseres rumo às termas, a gente passa por lugares lindos! É um caminho por entre montanhas e quando a gente percebeu, estávamos beirando um espelho d’água gigantesco! Descemos correndo pra tirar foto. Até o nosso guia quis parar pra fotografar esse lugar do celular dele. É, realmente, maravilhoso!

Termas de Chalviri
Seguindo caminho, chegamos nas termas de Chalviri. Custa 6Bs para entrar com direito a usar o banheiro e o vestiário (3Bs se você só quiser usar o banheiro). Como esse dia tínhamos que seguir um cronograma estrito para chegar na fronteira na hora certa do transfer pra San Pedro, a parada durou exatos 40min.


O nosso guia já tinha recomendado que a gente fosse de roupa de banho logo de manhã pra facilitar na hora de entrar na terma, já que o vestiário é bem pequenininho pra quantidade de gente que entra. Nós, que estávamos indo rumo ao Atacama ainda e sabíamos que encontraríamos termas maiores e mais convidativas por lá, acabamos ficando acanhados com o frio e não entramos. Mas havia muita gente na piscina. A água é realmente muito quente, solta uma fumaça intensa contrastando com o clima ainda frio do lado de fora.

Deserto de Dalí
Seguindo viagem, passamos pelo chamado Deserto de Dalí. Essa região é de deserto de areia, mas é como se algumas pedras vulcânicas imensas tivessem sido colocadas em meio ao deserto. Dizem que as pinturas de Dalí foram inspiradas nessa paisagem. Verdade ou não, realmente o cenário remete muito às telas do pintor.


Laguna Verde
Essa foi a nossa última parada antes da fronteira (de lá já é possível até ver a fronteira do Parque). A lagoa recebe esse nome porque suas águas tem realmente a coloração verde. Entretanto, essa cor só fica exaltada em torno de 12:00, quando o sol está alto. Como estivemos por lá 8:30 da manhã, não pudemos ver a cor intensa.
Essa lagoa é quase na fronteira com o Chile e, logo atrás dela, já vemos o Licancabur, vulcão gigantesco e protagonista de muitas paisagens no deserto do Atacama.

Travessia para San Pedro
Chegamos na fronteira 8:40 e ela já estava lotada! É uma infinidade de carros 4×4 e vans trocando passageiros e malas pra lá e pra cá. O que acontece é que da fronteira até San Pedro o transporte é feito em vans e micro ônibus e ali na fronteira os turistas seguem para a Bolívia nos 4×4.
A fila para fazer a imigração estava imensa e levamos mais de uma hora até conseguirmos passar. Já havia lido relatos de pessoas falando que os bolivianos da fronteira quiseram cobrar propina na hora da imigração, então a gente estava mais do que alerta. Quando chegou a nossa vez, não deu outra. Ele queria cobrar 15Bs de cada um de nós na hora de passar, apesar de não ter nada falando que isso é necessário. Argumentamos com ele, dissemos que já não tínhamos mais bolivianos e ele por fim acabou nos liberando (mas com cara feia).

Chegamos em San Pedro depois de 45min de estrada e fizemos imigração novamente na fronteira do Chile, que fica logo na entrada da cidade. Esse processo é lento porque todas as malas têm que passar no raio x para controle de alfândega. Por volta de 12:30 o nosso micro ônibus nos deixou no ponto final: o estacionamento que fica ao lado da praça principal de San Pedro. Era o fim da nossa expedição Uyuni e o início da nossa expedição Atacama.

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